Por que as mulheres não precisam “agir como homens” para progredir?

Por que as mulheres não precisam “agir como homens” para progredir?

Em um trecho de seu novo livro Having It All, Corinne Low, da Wharton, apresenta evidências sobre o valor único que as mulheres trazem para o ambiente de trabalho.

Meu primeiro dia como consultora coincidiu com o dia de um encontro anual de mulheres, e eu e outras novas contratadas fomos convidadas a participar. A empresa trouxe uma palestrante de “empoderamento feminino” que parecia mais focada em apontar os erros das mulheres no ambiente de trabalho. Ela criticava a linguagem corporal, dizia para não sentarmos “como meninas”, pedia que parássemos de transformar tudo em pergunta e de pedir desculpas o tempo todo.

Ao falar sobre “vestimenta de poder”, ela chamou Steph, uma nova contratada que eu acabara de conhecer, mas com quem imediatamente me identifiquei. Diferente de muitos que tentavam se encaixar, Steph parecia confortável sendo ela mesma.

A palestrante pediu que ela se levantasse e a criticou publicamente: “Você não pode usar calça rosa! Ninguém vai te levar a sério.” Steph ficou claramente constrangida.

Saímos daquele encontro com uma mensagem clara — não de empoderamento, mas de que não poderíamos ser nós mesmas no trabalho.

E se tivéssemos ouvido o contrário? Que ser você mesmo pode ser seu maior diferencial?

 

Diferente não significa ser pior

Há uma narrativa comum de que mulheres precisam mudar: negociar mais, ser mais competitivas, assumir mais riscos.

Mas a evidência científica não mostra que as características mais comuns entre mulheres sejam piores para desempenho ou resultados.

Diferença não significa inferioridade.

 

Competitividade: O problema pode não ser das mulheres

Pesquisas mostram que homens tendem a escolher ambientes competitivos com mais frequência — mesmo quando isso não é racional.

Em um experimento clássico, homens e mulheres tinham desempenho igual, mas homens escolhiam mais frequentemente modelos de pagamento competitivos, inclusive quando isso reduzia seus ganhos.

Entre os homens com pior desempenho, 60% ainda optavam pela competição — mesmo sabendo que perderiam.

Isso levanta uma pergunta importante:

Por que não discutimos se o excesso de competitividade masculina destrói valor nas empresas?

 

Negociação: Um resultado surpreendente

Outro mito comum é que mulheres negociam pior.

Mas estudos mostram que:
– Homens e mulheres têm desempenho semelhante em negociações
– Mulheres, em média, obtêm melhores resultados finais

Por quê?

Porque negociações entre homens têm maior probabilidade de fracassar — muitas vezes por excesso de confronto.

Quando homens negociam entre si, há mais ultimatos, menos colaboração e maior chance de ambos saírem sem acordo.

Resultado: pares masculinos ganharam 20% menos do que outros grupos.

Já quando há mulheres na negociação, acordos são mais frequentes.

 

As expectativas importam

Mulheres não negociam menos por falta de habilidade, mas porque entendem o contexto social.

Estudos mostram que:
– Pessoas esperam mais generosidade das mulheres
– Mulheres ajustam seu comportamento a essas expectativas

Quando sabem que não serão penalizadas, negociam tanto quanto os homens.

 

O que realmente precisa mudar

Dizer às mulheres para “agir como homens” não resolve o problema.

O foco deveria ser:
– Reconhecer o valor único que elas trazem
– Ajustar sistemas e culturas organizacionais
– Criar ambientes onde estilos diferentes gerem resultado

Porque a verdade é simples:

Diferente não é pior — e, muitas vezes, é melhor.

Trechos do livro Having It All: What Data Tells Us About Women’s Lives and Getting the Most Out of Yours, de Corinne Low, copyright 2025.

 

Aproveite e leia o post: A Arte de Fazer Perguntas Mais Inteligentes

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